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O Retorno a Liberty Bay

Após anos vagando pelas terras de Tibia, aceitando contratos silenciosos e acumulando cicatrizes que jamais desapareceriam por completo, Nimeria finalmente alcançou aquilo que por tanto tempo pareceu impossível: liberdade.

O ouro veio como sempre veio para mercenários, entre batalhas sangrentas, escoltas perigosas, saques bem sucedidos e criaturas abatidas em lugares que poucos ousariam pisar. Cada moeda guardada tinha o peso de noites sem dormir, de companheiros que ficaram no passado e de decisões que assombravam seus pensamentos quando o silêncio finalmente chegava.

Mas, diferente de tantos outros consumidos pela própria ambição, Nimeria nunca desejou riqueza pelo simples prazer de possuí-la. Ela desejava voltar para casa.

Muito antes de se tornar Nimeria, ela havia sido apenas uma criança em Liberty Bay chamada Nayele.

Uma criança que conheceu a fome cedo demais, que aprendeu a sobreviver entre os becos da periferia e que, muitas vezes, observava de longe outras pessoas se alimentando enquanto tentava ignorar o vazio no próprio estômago.

Foi naquela época, após ser vendida por seu pai para piratas, que Nayele fez uma promessa silenciosa:

"Se eu sobreviver... eu vou voltar. E vou mudar a realidade desse lugar."

"E nenhuma outra criança daqui vai passar pelo que eu passei."

Anos depois, essa promessa continuava viva em cada contrato aceito por Nimeria.

Enquanto outros gastavam fortunas em mansões, luxos ou riquezas passageiras, ela guardava cada moeda com obsessiva disciplina.

Cada moeda tinha destino.

E esse destino sempre foi Liberty Bay.

Quando finalmente acumulou ouro suficiente, retornou à cidade onde nasceu e encontrou, acima da taverna próxima ao depósito, o lugar perfeito.

O lugar que um dia ofereceu comida e bebida aos que podiam pagar, agora se tornaria esperança para aqueles que não podiam.

Ela comprou o espaço e o transformou em um refúgio.

Não para se esconder do mundo, mas para acolher aqueles que o mundo costumava ignorar.

Viajantes feridos.
Exploradores fracassados.
Pessoas sem recursos.

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Foi então que Nimeria morreu. Não em batalha, nem pelas mãos de monstros ou pela traição de alguém, mas por sua própria escolha.
Na noite em que guardou seu antigo capuz no seu baú, ela abandonou o nome que havia criado para sobreviver.
E voltou a ser Nayele, seu verdadeiro nome. Um nome que agora podia existir sem medo.
Sem a necessidade de lutar por ouro, sem contratos. Sem correntes invisíveis impostas pela sobrevivência.

Durante a noite, quando o movimento do porto diminuía e os hóspedes finalmente descansavam, ela subia até o telhado com mapas antigos, livros esquecidos e anotações espalhadas ao seu redor.
Foi ali que percebeu algo inesperado:

cumprir seu maior sonho não havia encerrado sua história. Havia liberado espaço para novos sonhos.
Os mistérios antigos nas profundezas de Kazordoon.
As bibliotecas de Edron.
As tumbas de Ankrahmun.
Novos horizontes em Marapur.
Os sussurros sobre linguagens perdidas espalhadas por Tibia.

Agora Nayele via o mundo não mais como uma fonte de ouro, mas como um grande mistério esperando para ser descoberto.

Alguns aventureiros ainda a reconheciam nas ruas de Liberty Bay.

"Você é Nimeria, não é?"

Ela apenas sorria.
Olhava para o refúgio, para viajantes seguros, crianças alimentadas, e então respondia calmamente:

"Nimeria foi quem me trouxe de volta para casa."

"Mas é Nayele quem está aqui."

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