Kaelynn nasceu em Venore — ou, pelo menos, é isso que lhe disseram. Sua infância foi passada entre os pântanos, ruínas esquecidas e pequenas trilhas que desapareciam sob a névoa. Foi criada por duas tias, mulheres de personalidades bastante diferentes, mas igualmente determinadas a ensinar à garota o valor do respeito, da independência e de tudo aquilo que veio antes dela. E, naturalmente, foi criada também por quatro gatos, que aparentemente consideravam Kaelynn mais uma propriedade deles do que uma criança sob seus cuidados. Apesar de conhecer os pântanos desde pequena, Kaelynn desenvolveu uma habilidade curiosa: consegue se perder praticamente em qualquer lugar. Ruínas antigas, trilhas conhecidas, brejos que já atravessou dezenas de vezes... pouco importa. Existe sempre uma pedra interessante, uma planta desconhecida, uma inscrição parcialmente escondida ou algum som estranho vindo do meio da vegetação capaz de fazê-la abandonar o caminho. E é justamente aí que começa a maior qualidade — e talvez o maior problema — de Kaelynn: sua curiosidade.
Desde jovem, ela demonstrou uma afinidade incomum com a magia, especialmente aquela ligada à natureza. Para Kaelynn, magia nunca foi apenas algo para ser estudado em livros ou repetido através de fórmulas. Ela prefere senti-la. O vento passando entre as árvores, a água correndo sobre as pedras, o nascimento de uma flor, o comportamento de um animal ou o silêncio profundo de uma floresta antiga parecem, para ela, carregar histórias que poucos conseguem perceber. Kaelynn aprendeu a observar antes de agir, a respeitar a natureza e a ouvir aqueles que vieram antes dela. Seus ancestrais ocupam um lugar importante em sua visão de mundo, assim como todas as pessoas que cruzaram seu caminho e deixaram algum ensinamento.
Entre essas pessoas esteve uma antiga feiticeira andarilha, cuja ajuda Kaelynn jamais esqueceu. Aquela mulher lhe mostrou que conhecimento e magia não precisavam pertencer apenas àqueles que já possuíam poder. Podiam também ser usados para proteger, ensinar e transformar a vida daqueles que tiveram menos oportunidades. Foi então que Kaelynn decidiu que queria fazer algo semelhante. Mas havia uma pequena diferença: ela não pretendia passar o resto da vida vivendo modestamente em uma cabana no meio do pântano. Kaelynn quer prosperar. Quer dinheiro, reconhecimento e sucesso. Quer conhecer lugares que nunca viu, descobrir coisas que ninguém descobriu e, se possível, fazer com que seu nome seja lembrado. Não por vaidade — ou pelo menos é isso que ela diz. Kaelynn acredita que influência é uma ferramenta. Quanto maior sua reputação, maiores serão as portas abertas diante dela. Quanto mais dinheiro possuir, mais poderá investir em suas próprias aventuras e, quem sabe, ajudar aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que ela.
Seu objetivo parece simples quando colocado em palavras, embora provavelmente seja muito mais difícil de alcançar: tornar-se alguém poderosa o bastante para fazer diferença no mundo. O problema é que Kaelynn ainda precisa aprender a chegar ao destino antes de investigar tudo aquilo que encontra pelo caminho. Uma ruína abandonada? Precisa entrar. Uma criatura estranha? Precisa descobrir o que é. Uma passagem escondida? Precisa saber para onde leva. Um livro proibido? Bom... alguém precisa descobrir por que ele é proibido. É assim que Kaelynn frequentemente acaba em situações que poderiam ter sido evitadas com uma única decisão sensata.
Mas talvez essa seja justamente a essência dela. Kaelynn é uma exploradora antes de ser uma aventureira, uma curiosa antes de ser uma feiticeira e uma sonhadora antes de ser alguém importante. Ela ainda não sabe exatamente onde sua jornada vai terminar, mas pretende descobrir. Mesmo que, para chegar lá, precise se perder algumas vezes pelo caminho.
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