ㅤㅤ“Você os mata como se fossem porcos.”
ㅤㅤEra verdade.
ㅤUma condenação proferida era uma execução cumprida. Se a corte decretasse a morte de um homem, de uma mulher ou de uma criança, mortos eles estariam.
ㅤDiferente do pai, ele não expressava pena nem compaixão. Seu pai tinha pesadelos, noites em claro — executara inimigos, mas também amigos. Talvez o filho não carregasse esse peso por ter crescido assistindo aquele homem tirar tantas vidas.
ㅤEm algum momento, a vida lhe ofereceu a chance de ser mais do que um carrasco. Uma sucessão de eventos, como se tecida pelo destino, o levou a tornar-se cavaleiro — um cavaleiro com regalias que poucos jamais conheceriam.
ㅤQuando emergiu de seu purgatório pessoal, revelou-se um homem alto, beirando dois metros. Cabelos brancos e longos, olhos de um estranho magenta escuro. Seu cavalo, ricamente condecorado, denunciava sua importância para os interesses do castelo.
ㅤJá conhecera perdas que mantinha em segredo. Agora, sua missão era seu propósito de vida. Seria simples. Previsível.
ㅤNo entanto, havia algo que insistentemente tirava de sua direção. O cristal que encontrara anos atrás… pulsava como um coração — vivo, intenso. Quanto mais o carregava, mais seus pensamentos eram invadidos por uma voz estranha.
ㅤㅤㅤ“Você quer conhecer a história?”
ㅤEle evitava, resistia — mas a voz persistia.
ㅤㅤㅤ“Temos algo em comum.”
ㅤQuanto mais tentava pensar em outra coisa, mais difícil se tornava.
ㅤㅤㅤ“E podemos ser muito mais…”
ㅤMaldito dia.
ㅤㅤㅤ“…Você só precisa querer.”