Durante o dia, Tonho trabalha onde houver serviço para braços fortes: ergue muros, carrega mercadorias, escolta comerciantes e, quando o pagamento compensa, aceita tarefas sobre as quais prefere não dar muitos detalhes. É trabalhador, resistente e fiel à palavra empenhada. À noite, porém, troca o silêncio do ofício pelo barulho das tavernas, onde se torna um fanfarrão alegre, provocador e sempre disposto a descobrir quem aguenta mais cerveja — ou mais socos.
Embora treine artes marciais, Tonho pouco se parece com os mestres serenos dos mosteiros. Sua disciplina está nos treinos incansáveis, nos calos das mãos e na obstinação com que enfrenta a dor. Não carrega espada, machado ou martelo. O apelido “Marreta” vem de seus próprios punhos, que ele considera ferramentas adequadas tanto para derrubar uma parede quanto para encerrar uma discussão.
Tonho não demonstra grande respeito por autoridades ou discursos solenes, mas possui um código simples: não abandona companheiros, não trai quem confia nele e não recua quando alguém mais fraco precisa de ajuda. Pode não ser um homem de paz, mas é, acima de tudo, um homem de palavra.