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Metade de uma memória: Crônicas de Agnes Rabb-Oares

Prólogo: A Queda

Um dia fui guarda de Carlin. Disso tenho certeza. Lembro do peso da alabarda nos turnos da madrugada, do cheiro do porto, do estandarte da Rainha estalando ao vento sobre o portão.

Lembro de Cormaya também, embora preferisse não lembrar. Mandaram-me para lá escoltar nobres, e aprendi o que os nobres fazem quando acham que os guardas são só parte da mobília. Subornos passados por baixo da mesa. Dívidas cobradas de quem já não tinha nada para pagar. Eu ficava ali, com a espada na cintura, sem dizer nada, e a cada noite me sentia menor.

Então fui embora. Vendi minha espada a mercadores, os honestos, os que não podiam pagar cavaleiros próprios. Caminhei ao lado de caravanas por terras de bandidos e dormi com uma mão no punho da espada. E sempre que as estradas ficavam quietas, eu descia. Gostava de buracos na terra que ninguém tinha se dado ao trabalho de mapear. Voltava com anotações para os mais novos nas cidades: vá aqui, nunca vá ali, leve sempre uma corda.

Um desses buracos foi mais fundo que os outros.

Não lembro o nome dele. Lembro do calor, de uma voz que não saía de garganta alguma e de algo imenso se desdobrando no escuro. Lembro da minha espada se partindo. Depois disso, só a queda. Não para baixo, mas em pedaços, como uma bolsa de moedas rasgada dentro de um rio. Muito tempo depois, um estudioso me daria um nome para aquilo: o SoulVortex.

Algo pegou o que restou de mim e me jogou de volta.

Capítulo I: O Despertar

Acordei numa ilha que cheirava a sal e grama molhada, num corpo que não me servia direito. Leve demais nos ombros. Sem cicatrizes onde eu sabia que deveria haver cicatrizes. Fiquei deitada um bom tempo tentando lembrar meu próprio nome, e quando ele finalmente veio, veio sozinho, sem nada preso a ele.

A ilha se chamava Rookgaard. Todos ali eram novos, ou fingiam ser. Comprei uma espada barata porque minhas mãos não paravam de tremer sem uma, e no momento em que fechei os dedos no cabo, elas sossegaram. Não entendi aquilo na época. Não sei se entendo agora.

Foi Vascalir quem me deu algo para fazer. Os orcs do norte tinham um xamã, Kraknaknork, e ele estava reunindo mais do que um orc deveria conseguir reunir. A ilha precisava de defesa, e pelo jeito ninguém tinha avisado Vascalir que eu era só uma estranha com uma lâmina emprestada.

Então fiz o que guardas fazem. Carreguei pedras até as catapultas até meus braços arderem. Aprendi os caminhos que os orcs usavam e os horários que mantinham. E quando chegou a hora, atravessei os portões deles, desci pelos salões e encontrei o xamã no fim de tudo.

Não vou fingir que foi uma grande batalha. Eu estava fraca, e ele também, do jeito dele. Mas quando acabou, fiquei ali naquela câmara fedorenta e percebi uma coisa. O que quer que tivesse sido arrancado de mim no escuro, a guarda ainda estava ali. A parte que fica entre os assustados e aquilo que os assusta tinha sobrevivido à queda.

Não era muito para começar uma vida. Teria que bastar.

Capítulo II: A Loucura na Península

Quando cheguei ao continente, a primeira coisa de que ouvi falar foram lobos.

Não do tipo comum. Viajantes na península ao sul de Thais falavam de animais que espumavam pela boca e atacavam carroças, de feras que não paravam nem feridas. Conversa de caravana. Conheço conversa de caravana. Metade é exagero, e a outra metade mata gente.

Um homem chamado Hector, que se apresentava como mentor e parecia não dormir havia dias, estava acampado por lá tentando entender aquilo. Ele não me pediu para matar os animais. Pediu para descobrir por quê. Isso era novidade. Na minha vida antiga, ninguém pagava uma mercenária para fazer perguntas.

Segui os rastros. Eles levaram aonde rastros assim sempre levam: para debaixo da terra, passando por ossos roídos com vontade demais, até uma caverna onde um troll esperava. Trollwut, era o nome dele. Ele tinha encontrado um cogumelo que enlouquece qualquer criatura, e vinha dando aquilo a tudo que conseguia pegar, só para ver o que acontecia.

Tirei o cogumelo dele. Vou poupar vocês de como.

Hector não quis nem encostar naquilo. Mandou-me a Thais, a um homem chamado Benjamin, que tinha contatos na Academia de Edron. Os estudiosos iam analisar o cogumelo, ele disse, para que nunca mais fosse usado daquele jeito. Entreguei e saí para o barulho da cidade com uma sensação estranha.

Eu tinha voltado do escuro acreditando que toda ameaça podia ser enfrentada com aço. Aquela não podia. Alguém precisava carregar a prova, e outra pessoa precisava lê-la. Eu estava aprendendo que ser útil nem sempre é o mesmo que ser forte.

Capítulo III: O Mago Esquecido

O nome dele era Eclesius, e a memória dele era pior que a minha.

Não é piada. Encontrei-o numa casa atulhada ao sul de Thais, cercado de frascos e anotações pela metade, e a primeira coisa que ele me perguntou foi quem eu era. A segunda foi a mesma. Na terceira vez, eu já tinha parado de me ofender e começado a gostar dele.

Ele precisava de uma assistente. Todo dia havia uma lista. Varrer a casa, mas nunca a lareira. Polir a bola de cristal com uma receita em que até hoje não confio. Alimentar o peixe. Expulsar os morcegos. E, no fim da lista, na mesma letra descuidada: impedir o apocalipse. Ele nunca explicou essa última. Fiz mesmo assim, acho.

Depois vieram os recados. Primeiro, um chapéu escuro. Depois, sandálias, que se revelaram piores que qualquer caverna: precisavam ser desinfetadas, testadas num gambá e perfumadas com flores antes que ele aceitasse calçá-las. Já enfrentei orcs com menos trabalho. Voltei cheirando às três coisas, e ele nem lembrava de ter me mandado.

O último pedido foi diferente. Ele queria que eu virasse uma espécie de casamenteira entre elfos e anões. Não por amor. Por magia. Falava de uma nova raça, do que poderia ser criado se as duas pessoas certas fossem convencidas.

Eu disse que ia pensar. Ainda estou pensando.

Já dei as costas a nobres que tratavam pessoas como moedas. Não ia começar a tratá-las como ingredientes, nem por um velho gentil que esquece meu nome. Algumas batalhas se lutam com espadas. Outras se lutam decidindo o que você não vai fazer.

Capítulo IV: Mapeando Thais

Não decidi voltar a mapear. Só percebi, numa manhã, que fazia semanas que eu estava fazendo isso.

Saía de Thais ao amanhecer com uma corda, uma pá e uma tocha, e voltava ao anoitecer com uma página de anotações. Onde o chão era fofo. Quais escadas desciam mais do que tinham motivo para descer. Onde o ar mudava. O Ancient Temple, com seus degraus afundando no escuro. As cavernas dos trolls, que encontrei pelo cheiro antes de encontrar pela vista. Mintwallin, uma cidade inteira de minotauros debaixo da terra, com ruas e salões e um povo vivendo onde o sol não chega. O Mount Sternum. O acampamento dos ciclopes, onde as pedras que eles atiram são maiores que minha cabeça. O covil dos dragões, onde entrei com cuidado e de onde saí depressa. Fibula, uma ilha de lobos à noite e de coisas piores por baixo.

Alguns lugares pareciam familiares. Não do jeito que uma história parece familiar, mas do jeito que uma escada parece, quando seus pés sabem o próximo degrau antes que os olhos o vejam. Eu parava num corredor por onde nunca tinha andado e sabia, sem saber como, que ele virava à esquerda.

Acho que a velha Agnes estava ali, nas margens daquelas páginas. Cada caverna que eu anotava me devolvia um pouco da mulher que costumava anotá-las para os outros. Não o nome dela, nem o rosto. Só as mãos, firmes na pena.

Quando não restou mais nada ao redor de Thais que eu não tivesse anotado, olhei para o norte. Alguma coisa em mim estava olhando para o norte havia muito tempo.

Capítulo V: A Cidade que Quase Lembra

Os portões de Carlin estavam exatamente onde eu os tinha deixado. Quem tinha mudado era eu.

Entrei olhando o rosto dos guardas, torcendo para que algum me reconhecesse. Nenhum reconheceu. As ruas estavam certas, o porto estava certo, o estandarte da Rainha estava certo, e ainda assim a cidade me olhava como a uma estranha. Eu me lembrava dela muito melhor do que ela se lembrava de mim.

Acabei perto da Druid Guild, no jardim, porque meus pés me levaram até lá. Um homem estava sentado entre as ervas, de olhos fechados. Quando parei, ele os abriu e me olhou como se eu estivesse atrasada para alguma coisa.

O nome dele era Aleth Umex.

Não sei dizer o que ele viu em mim. Uma mulher de mãos trêmulas e meio passado, imagino. Ele não perguntou quem eu tinha sido. Todo mundo perguntava isso, e eu nunca tinha resposta. Ele perguntou quem eu queria ser, e essa era uma pergunta que eu ao menos podia começar a responder.

Percorremos muitas estradas depois disso. Ele curava, eu segurava a linha. Quando eu contava sobre os pedaços de que me lembrava, ele não tentava montá-los por mim. Só ouvia, e deixava que fossem pedaços. É difícil explicar o quanto isso significou.

Ele não percorre mais essas estradas. Procurei por ele antes de partir, no velho jardim, entre os rostos do depot. Se estas palavras um dia chegarem até ele: o escudo continua entre você e o que vier. Esse era o nosso trato, e eu cumpro meus tratos.

Capítulo VI: Os Anos sem Registro

Preciso ser honesta. Lembro mal desses anos.

Não porque nada aconteceu. Aconteceu coisa demais, e eu não estava prestando atenção em mim mesma. Estava prestando atenção no chão. Os mapas lembram desses anos melhor do que eu. Quando os desdobro hoje, encontro minha própria letra em caminhos que não lembro de ter percorrido.

Carlin, Thais, Venore, Ab'Dendriel, Kazordoon. Cada estrada, cada caverna, cada buraco na terra deste continente, percorrido e anotado. Disso eu sei, porque as páginas estão cheias.

O resto volta em lampejos. As cavernas de Folda, que um dia me assustaram e, de repente, deixaram de assustar. Um baú num pântano do sul, guardado pelos mortos, com uma única chave de cristal dentro. Ainda a carrego. Ainda não sei o que ela abre. Uma porta num acampamento de amazonas que ninguém nunca viu aberta. As trilhas escuras das montanhas ao redor de Kazordoon, onde caminhei até minhas botas cederem.

Lembro de me ajoelhar diante da Rainha Eloise. Lembro que ela me nomeou Elite Knight. Não lembro de uma única palavra que ela disse. Estranho, não? O dia mais importante da vida de uma guarda, e tudo o que guardei foi o frio do chão através dos joelhos.

E lembro de uma faca. Atirei-a num mapa na parede de uma taverna, porque não conseguia decidir para onde ir, e ela se cravou na areia do extremo sul.

Então eu fui.

Capítulo VII: Além-Mar

A faca apontou para Ankrahmun, e o deserto me ensinou a beber antes de sentir sede. Andei entre tumbas mais antigas que qualquer reino que eu conheça, e subi ao norte até uma pirâmide onde os minotauros mantêm uma ordem só deles. Darama é um continente de areia que mal comecei a ler.

De lá, as selvas de Tiquanda. Port Hope, as muralhas verdes ao redor, as trilhas de Chor. Tudo ali cresce mais rápido do que se consegue cortar, e toda trilha some atrás de você.

Depois, Vandura, onde o mar virou minha estrada. Liberty Bay, as Laguna Islands, Meriana. Desci às cavernas onde vivem os quaras e aprendi a lutar com água nos pulmões e sal nos olhos.

Yalahar eu entendi melhor do que gostaria. Uma cidade cortada em pedaços por muralhas, cada bairro vivendo como se os outros não existissem. O centro, os estrangeiros, a arena, os mercadores, o cemitério. O bairro que afundou nas águas e continuou vivendo mesmo assim. Mistrock e Fenrock lá fora no mar, como pensamentos que a cidade não consegue alcançar. Percorri quase tudo. Reconheci aquilo. É assim que minha cabeça é por dentro.

No norte, Hrodmir. Fiquei muito tempo em Svargrond, entre gente que respeita qualquer um que aguente o frio. Mapeei cada vale menos um. Okolnir, a península dos dragões de gelo. Parei na beirada, olhei para o que esperava lá e dei meia-volta. Foi o primeiro mapa que deixei inacabado de propósito. Ainda me incomoda.

Edron eu só toquei. O castelo, a toca dos trolls, a toca dos goblins. Uma ilha de estudiosos à qual sempre pretendo voltar, e nunca volto.

Capítulo VIII: O Mago, Outra Vez

Anos depois, voltei ao Eclesius. Ele não lembrava de mim, claro. Eu já tinha parado de esperar que alguém lembrasse.

Restava a questão que eu tinha recusado. Os elfos e os anões. Disse a mim mesma que agora eu era mais forte, que podia vigiar tudo, garantir que ninguém se machucasse. Então virei casamenteira dele, afinal.

O nome dela era Amarie, uma estudante tímida da biblioteca de Ab'Dendriel. O dele era Grodrik, que bebia sozinho numa taverna de Kazordoon. Fiz aos dois longas listas de perguntas e encontrei a única coisa que tinham em comum: o amor por chocolate. Era quase doce. Então Eclesius me entregou as poções, e não me orgulho do que fiz com elas. Puxei as alavancas que ele mandou puxar, num lugar que parecia um sonho que não era meu.

O que saiu dali não foi uma nova raça.

Eclesius apagou a memória dos dois e os mandou para casa. Vi ele tirar deles exatamente aquilo que um dia foi tirado de mim. Os dois foram embora mais leves, sem saber por quê. Não dormi naquela noite.

A última coisa de que ele precisava era ajuda para o antigo assistente, o que veio antes de mim, que tinha sido transformado em sapo. Então voltei a Carlin, à mesma sala do trono onde um dia me ajoelhei, e pedi à Rainha Eloise e ao General Bunny Bonecrusher uma fantasia de princesa. Depois a vesti e beijei um sapo. Não funcionou. No fim, foi preciso um contrafeitiço, um segundo sapo do Alatar Lake e muita paciência.

Anos atrás escrevi que algumas batalhas se lutam decidindo o que você não vai fazer. Ainda acredito nisso. Mas agora conheço a outra metade. Às vezes você faz mesmo assim, e depois carrega o peso.

Capítulo IX: Os Portais

Eu não planejava partir. Planejava continuar andando.

Mas em algum lugar entre os mapas, encontrei pessoas. Tharek Sharpshooter, Nildo Matrix, Vini monarch, Aleth Umex, Samurai Sagaz, e tantos outros cujos nomes minha memória teimosa se recusa a guardar. A roda do Tibão, que manteve a fogueira acesa para quem precisasse. Os estandartes da Lockdown, antes de silenciarem. Os Taverneiros, a cuja porta bati só para me despedir.

Há coisas que deixo inacabadas. A catedral escura onde a Inquisição chama, e eu ainda não respondi. Duas salas trancadas nas profundezas sob os Fields of Glory, cada uma guardando um corpo que alguém trancou ali e nunca voltou para buscar. Uma península de gelo. Uma ilha de estudiosos.

Mas as memórias continuaram puxando, mais forte que antes, e eu as segui até Travora. Parei diante daquele barco estranho e de seus portais que cintilam como se respirassem, e Sharon me disse o que eu não tinha ousado pensar: que existem outros mundos, tão reais quanto este, e que o que perdi talvez esteja esperando em um deles.

Então este é o fim do registro, por ora. Atravesso os portais com meia memória, um escudo arranhado e uma chave de cristal que ainda não sei usar.

Uma guarda de Carlin não espera no portão.

Epílogo: O Reerguer

Os portais me cuspiram em Carlin, e por um momento achei que tinham falhado. Os mesmos portões. O mesmo porto. O mesmo estandarte da Rainha sobre as muralhas. Então olhei para os rostos e não conhecia nenhum. A cidade era a que eu lembrava e, ao mesmo tempo, não era minha de jeito nenhum. Já senti isso antes. Rookgaard foi exatamente assim.

A primeira coisa que eu quis neste mundo novo não foi uma espada nem um mapa. Foi bolo de chocolate. Ainda tinha algumas barras de chocolate na mochila, e fiquei parada no depot tentando lembrar como se fazia. Farinha, leite, mais alguma coisa... sumiu. Como se minha memória quebrada tivesse guardado um último truque para a travessia entre mundos.

Então fiz algo que a velha Agnes jamais faria. Pedi ajuda, em voz alta, a quem estivesse por ali.

Ptyriasis respondeu. Chamou-me para uma rua tranquila, conversamos, e ele ficou comigo até o bolo ficar pronto. Dei três a ele. Ele os dividiu com os amigos, Sadon Lightsun e Alanui.

Mais tarde naquele dia fui para o sul, até Fenrock, uma rocha que eu já tinha atravessado muitas vezes sem pensar duas vezes. Havia uma rachadura no chão. Passei a picareta nela e despenquei numa cidade escondida de anões: Beregar.

Eles tinham trabalho para quem tivesse braços fortes. Um anel dado como roubado, que demorei demais para encontrar, brilhando dentro de um cristal ao lado de um barril de cerveja, enquanto um anão inocente levava a culpa. Um imperador cujo filho tinha descido às minas inferiores e nunca mais voltado. Para alcançá-lo, precisei aprender coisas que nenhuma guarda aprende: ler um livro sobre escavação de túneis, assentar madeira e trilho sobre um vão para um vagão passar, alimentar uma máquina com carvão e manter o fogo vivo, pisando no fole de novo e de novo até o vapor finalmente subir.

E na taverna, um anão me pediu para levar um bolo de chocolate à mulher que ele admirava.

Fiquei ali e ri. Talvez a vontade não tivesse vindo do nada. Talvez algum pedaço de mim já conhecesse aqueles túneis e estivesse me chamando lá para baixo.

Quando voltei à superfície, Pty tinha mandado notícias. Naquela noite, ele e os amigos me receberam na casa dele em Carlin e depois me acompanharam até Rathleton para conhecer o Witche's Cauldron, o lugar mais acolhedor que encontrei neste mundo. Depois me trouxeram de volta.

Pensem nisso. Uma guarda de Carlin, escoltada pela noite como a filha de um mercador. Na minha vida antiga, eu teria me sentido insultada. Naquela noite, só senti gratidão.

Sadon tocou todos os instrumentos que encontrou, e um piano que merecia uma plateia melhor. Entre uma música e outra, inventamos a música deste mundo: Venorean Jazz, Thaian Anthem, Kazordoon Folk, Carlin Girly Pop, Hellgate Deathmetal. Ri mais naquela noite do que em muitos meses.

Ofereceram-me uma cama. Recusei. Já tinha recebido gentileza suficiente para um dia, e uma velha guarda dorme melhor perto do posto da guarda. Trisha me fez companhia.

Esta história começou com uma queda. Este não é o seu fim. É o momento em que você apoia a mão no chão e se levanta outra vez.

Tenho novos amigos, novos túneis para mapear e uma receita de bolo que não pretendo esquecer de novo.

— Agnes Rabb-O'ares (Saint Ines)

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